Seu modelo de negócio funciona? O que validar antes de investir

Seu modelo de negócio funciona O que validar antes de investir

Você encontrou uma oportunidade.

Entendeu melhor quem pode ser o cliente, construiu uma proposta de valor, começou a testar algumas hipóteses e organizou o funcionamento do negócio no Business Model Canvas.

No papel, tudo parece se encaixar.

Mas existe uma diferença importante entre ter um modelo de negócio organizado e ter um modelo de negócio que funciona.

Um Canvas preenchido mostra como acreditamos que o negócio poderá funcionar. Para descobrir se essa lógica sobrevive ao contato com a realidade, precisamos testar as hipóteses que sustentam o modelo.

E algumas delas são muito mais perigosas do que outras.

Neste último artigo da trilha, vamos voltar ao nosso exemplo fictício do AgendaSimples para identificar o que precisaríamos descobrir antes de investir mais dinheiro e tempo no negócio.

(Imagem: Business Model Canvas completo do AgendaSimples. Sobre alguns blocos, inserir pequenos sinais de interrogação para mostrar que o Canvas está preenchido, mas várias informações ainda são hipóteses. Incluir discretamente a indicação “Exemplo fictício”.)

Um Canvas preenchido não significa que o negócio foi validado

No artigo anterior, construímos nossa primeira versão do Business Model Canvas.

Chegamos a algo parecido com isto:

BlocoHipótese do AgendaSimples
Segmentos de ClientesCabeleireiros autônomos que trabalham com horário marcado
Proposta de ValorSistema simples para organizar agendamentos, lembretes e confirmações
CanaisInstagram e site
RelacionamentoAutoatendimento e suporte assíncrono
Fontes de ReceitaAssinatura mensal
Recursos PrincipaisSistema, infraestrutura e ferramentas
Atividades PrincipaisManutenção, divulgação, atendimento e administração
Parcerias PrincipaisPagamentos, infraestrutura e serviços especializados
Estrutura de CustosInfraestrutura, ferramentas, divulgação e outros serviços

O modelo parece coerente.

O problema é que coerência não é evidência.

Podemos acreditar que cabeleireiros precisam da solução, mas eles podem estar satisfeitos com WhatsApp, agenda de papel ou outra ferramenta.

Podemos imaginar que R$ 29,90 seja um bom preço, mas isso não significa que alguém esteja disposto a pagar.

Também podemos acreditar que conseguiremos encontrar clientes pelo Instagram, atender todos de maneira simples e manter os custos baixos.

Tudo isso pode acontecer.

Ou não.

A própria Strategyzer recomenda tratar um Business Model Canvas como uma afirmação a ser questionada e atualizada conforme surgem evidências. Strategyzer

Portanto, antes de aumentar o investimento, precisamos perguntar:

o que teria que ser verdade para esse modelo funcionar?

Essa pergunta transforma o Canvas em uma lista de coisas que precisamos descobrir.

Você não precisa validar tudo ao mesmo tempo

Imagine que nosso Canvas tenha vinte hipóteses.

Poderíamos tentar testar as vinte.

Mas isso consumiria tempo e dinheiro sem necessariamente reduzir o maior risco do negócio.

Uma abordagem melhor é procurar primeiro as hipóteses críticas: aquelas que são importantes para o modelo funcionar e sobre as quais ainda temos pouca evidência.

Esse princípio também aparece na metodologia de testes da Strategyzer: identificar as suposições críticas antes de escolher os experimentos ajuda a concentrar o aprendizado nos riscos que realmente podem comprometer o negócio. Strategyzer

Pense em duas hipóteses:

“O botão do sistema deve ser azul.”

“Cabeleireiros pagarão mensalmente pelo sistema.”

As duas podem estar erradas.

Mas apenas uma delas pode destruir nosso modelo de receita.

É por ela que devemos começar.

(Imagem: matriz simples com dois eixos: “Importância para o negócio” e “Quantidade de evidências”. Destacar no quadrante de maior prioridade as hipóteses muito importantes e com pouca evidência. Exemplos do AgendaSimples: “clientes pagarão pela solução”, “conseguiremos adquiri-los por um custo sustentável” e “uma pessoa conseguirá operar o negócio”.)

1. Existe demanda suficiente?

A primeira pergunta parece óbvia:

as pessoas realmente querem o que estamos oferecendo?

Mas existe uma diferença entre alguém ter um problema e estar disposto a fazer alguma coisa para resolvê-lo.

No AgendaSimples, poderíamos descobrir que alguns cabeleireiros têm dificuldade para organizar horários.

Isso é útil.

Porém, ainda precisamos entender a importância desse problema.

Eles procuram soluções?

Já improvisaram alguma alternativa?

Pagam por alguma ferramenta?

O problema acontece com frequência?

O incômodo é suficiente para provocar uma mudança de comportamento?

Quanto mais próximo nosso teste estiver do comportamento real do cliente, mais aprendemos.

Uma pessoa dizendo:

“Eu usaria.”

é diferente de alguém deixando o contato para experimentar.

E alguém experimentando é diferente de alguém efetivamente pagando.

Isso não significa que entrevistas sejam inúteis. Elas podem ajudar bastante a entender problemas, comportamentos e contexto.

O cuidado está em não tratar uma opinião como prova de compra.

No AgendaSimples, portanto, não basta descobrir se a ideia parece interessante.

Precisamos descobrir se existe comportamento suficiente para sustentar a hipótese de demanda.

2. O cliente está disposto a pagar?

Agora surge outra pergunta.

Mesmo que as pessoas queiram a solução, elas pagarão por ela?

No artigo anterior usamos uma assinatura hipotética de R$ 29,90 por mês.

Esse valor serviu para construir o exemplo.

Ele não foi validado.

Talvez os clientes aceitem pagar mais. Talvez aceitem pagar menos. Talvez prefiram outro formato de cobrança. Também existe a possibilidade de não enxergarem valor suficiente para pagar nada.

Por isso, perguntar simplesmente:

“Você pagaria R$ 29,90?”

tem limitações.

A resposta não exige nenhum compromisso.

Sempre que for possível e adequado ao estágio do projeto, precisamos buscar evidências mais próximas de uma decisão real: uma pré-venda, uma reserva, uma tentativa de compra, um teste pago ou outro comportamento que exija algum compromisso do cliente.

A ideia não é cobrar antes de conseguir entregar o que foi prometido.

É reduzir a distância entre o que a pessoa diz que faria e o que realmente faz.

(Imagem: sequência visual mostrando níveis crescentes de evidência: “Achou interessante” → “Deixou contato” → “Experimentou” → “Tentou comprar/comprou”. Uma seta indica que o compromisso aumenta ao longo da sequência. Não apresentar a escala como regra universal.)

3. Conseguimos encontrar clientes de maneira sustentável?

Vamos imaginar que alguns cabeleireiros realmente queiram o AgendaSimples e estejam dispostos a pagar.

Ainda falta uma questão:

como vamos encontrá-los?

No nosso Canvas colocamos Instagram e site como possíveis canais.

Mas escrever “Instagram” em um post-it não significa que o Instagram será um bom canal de aquisição.

Precisamos descobrir se conseguimos alcançar as pessoas certas, despertar interesse e transformá-las em clientes sem gastar mais do que o negócio consegue suportar.

Suponha, apenas para entender a lógica, que gastemos R$ 300 em um pequeno teste de divulgação e consigamos 10 clientes pagantes.

Nesse exemplo:

R$ 300 ÷ 10 = R$ 30 para adquirir cada cliente.

Isso nos dá uma primeira informação sobre o custo de aquisição.

Mas esse número sozinho ainda não responde se o canal é bom.

Precisamos comparar o custo de conquistar um cliente com o valor que esse cliente gera ao longo do relacionamento e com os demais custos necessários para atendê-lo.

Se gastamos muito para conquistar alguém que cancela rapidamente, podemos ter um problema.

Se os clientes permanecem por tempo suficiente e a operação continua sustentável, a situação pode ser diferente.

Por isso, canal, receita e custos precisam conversar entre si.

4. A conta do negócio fecha?

Receita não é lucro.

Essa frase apareceu no artigo anterior e agora fica ainda mais importante.

Imagine novamente a hipótese de assinatura de R$ 29,90 por mês.

Com 100 clientes:

100 × R$ 29,90 = R$ 2.990 de receita mensal.

Parece interessante.

Mas ainda não sabemos quanto custa manter esses 100 clientes.

Precisamos considerar, por exemplo, infraestrutura, ferramentas, taxas de pagamento, impostos aplicáveis, divulgação, serviços terceirizados, suporte e outros custos necessários para entregar a proposta de valor.

Também existe um custo que pode passar despercebido em um One Person Business:

o tempo do próprio empreendedor.

Se o negócio gera receita, mas exige tantas horas de trabalho que uma pessoa não consegue mantê-lo, existe um problema operacional que os números brutos de faturamento não mostram.

Por isso, a pergunta não deve ser apenas:

“Quanto podemos faturar?”

Precisamos perguntar:

Quanto sobra depois de entregar aquilo que prometemos?

E ainda:

O esforço necessário para gerar essa receita faz sentido?

Não precisamos ter números perfeitos no início.

Precisamos de números suficientemente bons para testar se a lógica financeira do modelo é plausível e, depois, substituir estimativas por dados reais conforme aprendemos.

5. Conseguimos entregar o que prometemos?

Até aqui olhamos bastante para o mercado.

Agora precisamos olhar para dentro da operação.

O AgendaSimples promete uma solução simples para organizar agendamentos, lembretes e confirmações.

Então precisamos descobrir se conseguimos entregar isso de maneira confiável.

Por exemplo:

O sistema funciona como deveria?

Os lembretes chegam corretamente?

O processo de pagamento funciona?

O cliente consegue começar a usar o produto sem precisar de muita ajuda?

Quando alguma coisa dá errado, conseguimos resolver?

Os serviços externos dos quais dependemos atendem às necessidades do negócio?

Essas questões fazem parte da viabilidade operacional e técnica, ou, usando a terminologia da Strategyzer, da feasibility: nossa capacidade de construir, executar e entregar aquilo que o modelo exige. Strategyzer

Um negócio pode ter clientes interessados e ainda assim falhar porque sua operação não consegue cumprir a promessa.

6. Uma pessoa consegue operar esse modelo?

Para a OryctesPro, existe uma pergunta adicional importante.

Queremos construir uma empresa enxuta, preferencialmente capaz de funcionar principalmente com uma pessoa.

Então precisamos observar não apenas se o negócio funciona, mas como ele funciona.

Voltemos ao AgendaSimples.

Imagine que cada cliente precise, em média, de 30 minutos de atendimento humano por mês.

Com 20 clientes, seriam aproximadamente 10 horas.

Com 100 clientes:

100 × 30 minutos = 50 horas por mês.

Com 500 clientes, seriam 250 horas.

O modelo começaria a quebrar antes mesmo de considerarmos desenvolvimento, marketing, vendas, administração e todas as outras atividades.

Isso revela uma hipótese importante:

o atendimento precisa funcionar com pouco trabalho manual por cliente.

Agora temos algo concreto para investigar.

Talvez possamos melhorar o produto.

Criar um onboarding mais claro.

Padronizar respostas.

Automatizar tarefas repetitivas.

Criar uma central de ajuda.

Ou terceirizar determinada atividade quando fizer sentido.

É aqui que entra uma lógica que já faz parte da abordagem da OryctesPro:

Eliminar → Simplificar → Padronizar → Automatizar → Terceirizar → Contratar.

Não significa que toda empresa precise passar por essas etapas rigidamente nessa ordem.

É uma forma de raciocinar antes de adicionar estrutura.

E contratar alguém, caso o negócio realmente precise, não significa que o modelo fracassou.

O objetivo é evitar adicionar complexidade antes que ela seja necessária.

(Imagem: fluxo visual “Eliminar → Simplificar → Padronizar → Automatizar → Terceirizar → Contratar”, acompanhado da pergunta “Qual é a menor estrutura necessária para entregar valor com qualidade?”. Indicar discretamente que esta sequência é uma abordagem da OryctesPro, não um bloco oficial do Business Model Canvas.)

Três perguntas ajudam a organizar os principais riscos

Até aqui analisamos demanda, pagamento, aquisição, finanças e operação.

Podemos organizar boa parte dessas dúvidas em três perguntas simples:

As pessoas querem?

Aqui entram hipóteses sobre cliente, problema, proposta de valor, aquisição e relacionamento.

Conseguimos entregar?

Aqui entram recursos, atividades, tecnologia, parceiros e capacidade operacional.

A conta fecha?

Aqui entram preço, receita, custos e sustentabilidade financeira.

Na terminologia usada pela Strategyzer, essas três áreas são chamadas de desirability, feasibility e viability: desejabilidade, exequibilidade e viabilidade financeira. Strategyzer

Elas não são três novos blocos do Business Model Canvas.

São lentes que podemos usar para analisar os riscos presentes nos blocos que já construímos.

(Imagem: três círculos ou cartões conectados: “As pessoas querem?” — Desejabilidade; “Conseguimos entregar?” — Exequibilidade; “A conta fecha?” — Viabilidade financeira. No centro: “Modelo de negócio”. Incluir nota pequena: “Lentes de análise, não novos blocos do BMC”.)

Qual hipótese devemos testar primeiro?

Agora podemos voltar ao Canvas e listar o que ainda precisa ser verdade para o AgendaSimples funcionar.

Por exemplo:

HipóteseSe estiver errada…Prioridade
Cabeleireiros têm um problema relevante com agendamentos e confirmaçõesA proposta perde importânciaAlta
Eles estão dispostos a pagar pela soluçãoO modelo de receita não funcionaAlta
Conseguimos encontrar clientes por um custo sustentávelO crescimento pode ficar inviávelAlta
O sistema consegue entregar a proposta com confiabilidadeO produto não cumpre o prometidoAlta
O suporte exige pouco trabalho manualA operação pode não funcionar como OPBAlta
Determinado detalhe visual do sistema agrada aos clientesPode exigir apenas um ajusteMenor

Essa classificação é apenas didática.

Não existe uma tabela universal dizendo quais hipóteses são sempre mais importantes.

A prioridade depende do modelo, do estágio do negócio e das evidências que já temos.

A pergunta que ajuda é:

Se esta hipótese estiver errada, quanto dano ela causa ao modelo?

Depois:

Quanto sabemos sobre ela hoje?

Uma hipótese muito importante sustentada por pouca evidência merece atenção.

Escolha o teste depois de escolher a hipótese

Existe uma tentação comum de começar pelo método:

“Vamos fazer entrevistas.”

“Vamos criar uma landing page.”

“Vamos anunciar no Instagram.”

Mas primeiro precisamos saber o que queremos aprender.

Por exemplo:

Hipótese: cabeleireiros autônomos estão dispostos a experimentar uma ferramenta específica para organizar agendamentos e confirmações.

A partir daí podemos pensar no teste adequado.

Em outro momento:

Hipótese: parte dos usuários que experimentarem a solução aceitará pagar determinado preço.

Esse risco pode exigir outro teste.

A escolha do experimento depende da pergunta.

A Strategyzer também recomenda começar, especialmente nos estágios iniciais, com experimentos rápidos e de baixo custo e escolher o teste de acordo com o risco que queremos reduzir. Strategyzer

Para um One Person Business com recursos limitados, isso é especialmente importante.

Não queremos gastar R$ 20 mil para descobrir algo que poderíamos aprender com R$ 200.

Nem desenvolver durante seis meses algo que poderíamos começar a investigar em alguns dias.

Defina o que você espera observar antes do teste

Existe outro cuidado importante.

Imagine que publicamos uma página do AgendaSimples e recebemos 15 cadastros.

Foi bom?

Foi ruim?

Sem um critério definido anteriormente, fica fácil olhar para qualquer resultado e encontrar uma justificativa para continuar.

Por isso, antes do experimento, devemos registrar:

Qual hipótese estamos testando?

Como vamos testá-la?

O que vamos medir?

Qual resultado aumentaria nossa confiança?

Qual resultado diminuiria nossa confiança?

O número adequado depende do contexto e do teste.

Não existe uma quantidade mágica de entrevistas, cadastros ou vendas que valide qualquer negócio.

O importante é definir critérios coerentes com aquilo que estamos tentando aprender e interpretar o resultado sem transformar qualquer sinal positivo em confirmação.

Validar não significa provar que dará certo

Aqui existe uma distinção importante.

Quando usamos a palavra validar, podemos passar a impressão de que chegou um momento em que o negócio está definitivamente comprovado.

Na prática, o processo é menos absoluto.

Cada teste produz evidências.

Essas evidências podem aumentar ou diminuir nossa confiança em determinada hipótese.

Depois aprendemos, ajustamos o modelo e testamos novamente.

A própria lógica de experimentação associada ao Business Model Canvas trabalha com ciclos de desenho, teste e aprendizado, nos quais novas evidências levam à atualização do modelo. Strategyzer

Por isso, talvez seja mais útil pensar assim:

Hipótese → Teste → Evidência → Aprendizado → Decisão

A decisão pode ser continuar.

Pode ser ajustar.

Pode ser fazer outro teste.

E também pode ser abandonar uma hipótese que não se sustenta.

Isso não é desperdício.

Descobrir cedo que uma ideia não funciona pode evitar um investimento muito maior depois.

Quando faz sentido investir mais?

Não existe um momento universal em que alguém possa dizer:

“Pronto. Agora seu negócio está validado.”

Mas podemos tomar decisões melhores à medida que as hipóteses mais críticas deixam de depender apenas de opinião e passam a ser sustentadas por evidências.

Antes de aumentar significativamente o investimento, seria desejável que o AgendaSimples tivesse respostas melhores para perguntas como:

Existe um problema relevante?

Há pessoas demonstrando interesse por uma solução?

Algumas delas realmente pagam ou apresentam comportamento compatível com intenção de compra?

Conseguimos chegar a essas pessoas por canais que fazem sentido economicamente?

Conseguimos entregar a solução com qualidade?

Receitas e custos indicam uma operação financeiramente sustentável?

A carga operacional é compatível com a estrutura que queremos manter?

Quanto maior o investimento que estamos prestes a fazer, mais importante se torna a qualidade das evidências que sustentam a decisão.

Nosso Canvas agora tem outra função

No início, usamos o Business Model Canvas para organizar uma ideia.

Depois, para enxergar como as partes do negócio poderiam funcionar juntas.

Agora podemos usá-lo de outra maneira:

como um mapa das nossas incertezas.

Podemos olhar para cada bloco e perguntar:

O que sabemos?

O que estamos apenas supondo?

Que evidência temos?

Qual hipótese representa o maior risco?

Qual será nosso próximo teste?

Isso transforma o Canvas de uma fotografia estática em uma ferramenta de aprendizado.

A versão que construímos hoje não precisa ser igual à versão que teremos daqui a três meses.

Na verdade, se estivermos aprendendo com clientes e com a operação, é bastante provável que ela mude.

(Imagem: três versões do Canvas do AgendaSimples lado a lado: “Versão 1 — Hipóteses”, “Versão 2 — Primeiras evidências” e “Versão 3 — Modelo ajustado”. Setas conectam as versões e mostram que o modelo evolui conforme aprendemos.)

Da ideia ao modelo de negócio

Chegamos ao final desta trilha.

No primeiro artigo, tínhamos apenas uma pergunta:

de onde surgem boas ideias de negócio?

A partir dali, avançamos passo a passo.

Começamos procurando oportunidades.

Depois tentamos entender melhor o cliente.

Transformamos problemas em uma proposta de valor.

Aprendemos que um Canvas não valida uma ideia e começamos a pensar em testes.

Conhecemos o Business Model Canvas.

Construímos nossa primeira hipótese de modelo de negócio.

E agora identificamos o que precisa ser verdade para esse modelo realmente funcionar.

Perceba o que aconteceu durante esse caminho.

Não começamos com um produto pronto.

Começamos com perguntas.

E, a cada etapa, organizamos melhor aquilo que sabíamos e aquilo que ainda precisávamos descobrir.

Esse é um princípio importante para quem está construindo um One Person Business.

Quando dinheiro, tempo e capacidade são limitados, aprender antes de aumentar a estrutura pode fazer uma diferença enorme.

Você não precisa começar com escritório.

Não precisa começar com uma equipe.

Não precisa automatizar tudo.

Também não precisa construir a versão definitiva do produto antes de conversar com o mercado.

Você precisa descobrir qual é a menor estrutura necessária para entregar algo que clientes realmente valorizem e que possa funcionar como negócio.

Depois, conforme surgem evidências, o modelo pode evoluir.

O Canvas não é o fim

Terminamos esta trilha com um Business Model Canvas.

Mas o Canvas não é o negócio.

O negócio começa a ganhar forma quando clientes reais encontram nossa proposta, usam aquilo que oferecemos, pagam, voltam, indicam, reclamam, cancelam e nos mostram coisas que não conseguimos descobrir sentados diante de uma planilha.

É nesse contato com a realidade que nossas hipóteses começam a encontrar respostas.

Algumas estarão certas.

Outras precisarão ser ajustadas.

E algumas provavelmente estarão completamente erradas.

Tudo bem.

O objetivo nunca foi acertar o negócio inteiro na primeira tentativa.

O objetivo desta trilha foi aprender a transformar uma ideia vaga em um modelo que possa ser questionado, testado e melhorado.

Agora temos algo muito mais útil do que uma ideia na cabeça.

Temos um conjunto organizado de hipóteses.

E sabemos qual é o próximo passo:

buscar evidências.

Alessandro Almeida

Fundador da OryctesPro

Pesquiso e estudo empreendedorismo, gestão e One Person Business para entender como uma pessoa pode construir e administrar um negócio real com uma estrutura enxuta. Na OryctesPro, transformo esse conhecimento em conteúdos práticos, ferramentas e análises para ajudar empreendedores a entender, decidir e executar melhor.

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